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16 de Setembro de 2019

Os Quatro Pilares do Socialismo

Comentários sobre palestra de Ben Shapiro (link ao final), para uma profunda reflexão.

Christina Morais, Advogado
Publicado por Christina Morais
há 6 meses

1. Igualdade de resultados é o único valor

O que significa isso? Significa que ao final todos devem estar no mesmo lugar. Nivelamento. Não se trata de igualdade de oportunidades. Não. Ninguém se destacará por mérito ou esforço. Nem adianta sonhar com nada, sua vida será aquela ali, determinada pelo Estado. Não importa se sua habilidade é neuro cirurgia ou ciclismo. Você é absolutamente igual a todos e todos são iguais a você.

Não iguais em direitos e oportunidades. Mas iguais num ‘status quo’ imutável e na obrigação de servir ao Estado, não importunar o sistema, e se contentar com o que lhe é dado, ainda que não seja o que você almeja. Você será convencido de que o que recebe é um “direito”. Você será convencido de que não está trabalhando para o Estado. Terá a sensação de que o Estado trabalha por você (como se fosse um favor). E nunca terá consciência de que o correto é que o Estado trabalhe PARA você, uma vez que você paga impostos.

O justo desse sistema é, literalmente, igualdade na pobreza, em detrimento de uma desigualdade na abundância, onde há diferentes níveis de renda e mesmo os pobres possam ter uma renda saudável em uma economia liberal, além da chance de se destacarem e mudarem de vida ou mesmo viver a própria vida com a liberdade de destinar seus recursos como bem entender. Portanto, a Educação não se prestará a nada. Ninguém se esforçará para ser bom em nada, pois ao final, não fará diferença. Eis o nivelamento.

2. Justiça Social

Justiça social não é outra coisa senão justiça coletiva. O princípio de que a pena não deve passar da pessoa do condenado, cai por terra. Se você faz parte de um grupo que o Estado considera responsável por uma determinada “injustiça”, você será pessoalmente responsabilizado. Não importa se você, individualmente, não tenha executado o ato ofensivo ou criminoso. Você será condenado a pagar sua “dívida social”. E tampouco importa se a suposta vítima tenha experimentado a injustiça, desde que ela faça parte do grupo supostamente vitimado, não fazendo diferença em que período do paleozoico a injustiça aos ancestrais desse grupo de "herdeiros" tenha ocorrido. É por isso que é tão importante dividir a sociedade em grupos rivais. Eles são instrumentos para um fim: igualdade de resultados.

Daí nasce termos como “politicamente correto”. Não é importante se o que você diz é verdade. Mas apenas que o que você diz não irá aborrecer o Estado, o sistema. Mais vale a boa mentira, a mentira branca (inventaram isso também). Bom, traduzindo, trata-se de censura mesmo, nua e crua. Mas a palavra censura é feia. Enfeitemos o pavão: politicamente correto (CENSURA). Você não pode se manifestar contra os princípios da justiça social, pois não é politicamente correto.

O tiro no pé? A partir do momento em que você aceita que é correto (politicamente) aceitar a mentira e que é correto (socialmente) que um inocente pague pelo erro de terceiros, você está dizendo que é correto (juridicamente) que culpados não sejam condenados por seus crimes, desde que eles pertençam a certa casta social passivamente aceita como acima do bem e do mal (dirigentes do sistema e integrantes dos grupos designados como vítimas). Isso explica porque bandidos notórios são ovacionados mundo afora, caso se encontrem do lado certo de determinada “causa”. Social, é claro.

Ué, mas e o indivíduo? Não existe. Apoiando tudo isso você abriu mão da sua individualidade. Você agora é uma ovelha em um rebanho. E nós sabemos qual é o destino da ovelha desgarrada.

3. A verdade não importa

Como sucedâneo da Justiça Social, enveredamos pelo mais obscuro dos caminhos: a verdade é relativa, a verdade é o que alguém determina, e a verdade real não importa. Alguém tem notado como a mídia hoje relativiza a verdade e anestesia seus ouvidos para termos como “cada um tem a sua verdade”? Não! Cada um tem a sua versão dos fatos e é por isso que cabe ao juiz ouvir as partes e analisar as provas em busca da verdade real, ou seja: do que realmente aconteceu. Aceitar que cada um tenha a sua verdade, é aceitar que no futuro, em algum momento, você será vitimado pela verdade alheia em detrimento da verdade real, ainda que a sua versão seja a expressão da verdade real e a versão do outro, seja expressão da mentira. Isso porque é cientificamente impossível que o mesmo fato tenha ocorrido de diferentes formas a menos que alguém tenha passado por um buraco de minhoca. Portanto, na verdade "de cada um", alguém estará mentindo, mas todas as versões são válidas (inclusive a mentirosa) e uma delas se transformará em verdade tão logo alguém assim a determine. É a verdade "válida", tomando o lugar da verdade real.

Assim, em algum momento você terá que aceitar que a verdade do outro prevaleceu, porque alguém determinou que aquela verdade é a expressão do politicamente correto, ou seja, você terá que aceitar a mentira, se ela for mais adequada a certas circunstâncias e pior ainda, certos interesses alheios! Ótimo, se o mentiroso for você, mas e se você for a vítima? Toda essa utopia criada e arquitetada à revelia da lógica e da razão pode se transformar em um monstro que voltará para morder o seu pé.

A verdade relativizada é um princípio filosófico que se presta como mais uma ferramenta na busca pela igualdade de resultados. Porém, na prática, pode estar certo de que deixar a verdade real em segundo plano, irá te prejudicar um dia. Não é questão de 'se' mas de 'quando'. Em algum momento, você será vítima do monstro que criou: um Estado utópico fundado em igualdade de resultados. Não existe uma verdade maior, se ela está fundada em mentira. E não apenas em mentira, mas em omissão. Na era da informação, onde as pessoas, buscando ou não, têm acesso a informação pelos modernos meios de comunicação social, que transmitem dados (verdadeiros ou não), em frações de segundos, omitir a verdade real por um bem maior, é tão danoso à sociedade quanto criar uma mentira travestida de “verdade”, a verdade do outro, em detrimento da verdade real dos fatos. Essa falta de respeito e compromisso com a verdade real é o pior câncer moral de que padece a sociedade moderna. É impressionante ter que falar isso nessa altura da história da civilização humana.

4. Pela causa o uso da força é legítimo

Numa sociedade fundada em princípios de coletividade, o indivíduo não importa. Por isso ele é desarmado. Ele receberá promessas de segurança pública que propositalmente nunca se cumprirão, mas não poderá contar com segurança privada. Ele não é ninguém. É uma formiguinha, que se for esmagada, é facilmente substituída. O indivíduo é substituível. O Estado é maior. E para garantir a igualdade de resultados o Estado poderá usar suas armas contra você, indivíduo. Não contra o bandido que te rouba ou ameaça. Não. Pelo princípio da justiça social, esse bandido é vítima, portanto, não importa se ele te aponta uma arma e te rouba ou até te mata para roubar. Tudo é válido pela igualdade de resultados: você tem algo que ele não tem. Não interessa os seus esforços para ter o que você tem. Você tem mais, ele tem menos, ele é a vítima, você é... Bem, você não é nada.

Mas haverá um momento em que o Estado usará sim suas armas. E não será contra os que te ameaçam. Será contra você mesmo, se você ameaçar o Estado. E o YouTube está aí com algumas imagens de cidadãos venezuelanos sendo fuzilados apenas por tentarem fugir para o Brasil. Eles são a ovelha desgarrada. Eles terão que voltar para o rebanho, ou serão abatidos, pois eles não podem fazer parte de outro sistema que se oponha ao Estado. O único inimigo de um Estado socialista é o indivíduo.

Estamos hoje vendo a história do Muro de Berlim se repetindo às portas de nosso território. Graças aos professores de história, que hoje não ensinam história. E pais distraídos, que não educam seus filhos e não prestam atenção na bagagem que eles trazem da escola. Assim, um povo que não conhece sua história, fatalmente a repetirá, e já o estão fazendo.

Conclusão

Esses pilares assim definidos não são bons argumentos para amealhar simpatizantes à militância da causa. Por isso, inúmeras teses com discursos muito bem alinhavados vão sendo sistematicamente infiltradas nos meios de comunicação e nas políticas de Educação. Mas, cada discurso socialista, cada um deles, sem nenhuma exceção, trata de direitos individuais que já são garantidos pelas constituições de todos os estados de direito do mundo moderno, inclusive a nossa.

Os governantes socialistas hoje já se instalam no poder com todas as ferramentas necessárias para atender à demanda social, mas não o fazem, porque essa demanda é fundada em direitos individuais que não pretendem fazer cumprir. Escolher o socialismo para fazer valer seus direitos individuais é como desejar vestir um elefante numa camiseta feita para um bebê humano. Não cabe. Por isso, não funciona. Mas o interessante é que não é feito para funcionar. O Estado socialista precisa de uma sociedade que não funcione. Alimenta-se dos anseios populares e conquistam simpatizantes com promessas que não se farão cumprir. Exemplo: Dezesseis anos após a vultosa e dispendiosa execução da campanha Fome Zero, quadruplicamos o número de pessoas que recebem o Bolsa Família, ou seja: o número de pessoas abaixo da linha da pobreza, passando fome, só aumentou, em escala desproporcional ao aumento da população em si. Promessas miraculosas não se cumprem; apenas se prestam a um propósito político eleitoral.

Cabe a nós, que somos operadores do Direito, escolhermos um lado com honestidade: vamos mesmo defender a Constituição como juramos? Vamos mesmo zelar pelos mais caros princípios jurídicos que norteiam nosso sistema legal, como a busca pela verdade real e a defesa dos direitos individuais duramente conquistados e hoje garantidos pelo art. 5º da nossa CF/88? Ou estaremos a serviço de uma frente revolucionária? E se o estivermos, o estamos conscientemente? Num mundo em vias de ser tomado por uma nova ordem mundial, cantada em verso e prosa (literalmente) por políticos e artistas, não custa nada que cada um reflita sobre suas opções e o que elas realmente significam e como impactarão suas próprias vidas e as de seus descendentes. Nada mais será como é agora.

Palestra: https://www.youtube.com/watch?v=CY7-tRNXaWs

PS: Convido também a lerem o documento Nova Agenda Urbana da ONU e vejam a aurora que se aproxima. Em mim, teve o efeito de gelar a espinha. Cada um tire suas conclusões: http://estudosnacionais.com/sociedade/a-nova-agenda-urbana-da-onu-em-uma-cidade-perto-de-voce/?fbcli...

27 Comentários

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Dra. Christina, por ser um "arqui-inimigo" do comunismo e ou comunistas, li todo o seu belo texto a respeito do assunto e, também fui ler o que o Dr Fernando Lazarini muito bem citou. Devido minha já, não tão tenra idade, acompanhei um pouco da extinção do comunismo na antiga União Soviética (que na verdade, trocou 6 por meia duzia), a queda do muro de Berlim e Vietnam. Cá, na nossa "Pátria Amada", acompanho política, como militante, cabo eleitoral e assessor de candidato e, por esses e outros motivos, minha preocupação com os comunistas por aqui, foi aumentando a medida que começaram a surgir "facilidades diversas, sendo uma delas a legalização de clandestinos em nosso País" investimentos, empréstimos (não pagos), doaçoes, a países (grandes, médios e pequenos) com esse sistema de governo (socialista), que começou ainda no governo do FHC e sendo ainda mais "incrementado" com os governos liderados por um sindicalista do ABC, que viria a ser Presidente da República. Em texto anterior, similar a este, citei e reafirmo aqui: Ainda não nos livramos dessa ideologia em nosso País; apenas está havendo uma trégua, mas sei que eles jamais irão desistir, creio eu, principalmente depois de ler o texto indicado pelo Dr. Fernando. Isso irá depender e muito, do atual Presidente e, nossa (anti-comunistas) também... continuar lendo

Faço minhas suas palavras. Eu também acompanhei tudo. Aliás, eu acompanho tudo desde a Antiguidade, porque História é uma paixão em minha vida e cresci em meio a livros e mais livros de História, os quais devorei todos! Até a história do antigo Egito, para uma leiga, eu sei o bastante para travar um debate com um especialista e me alimentar de mais informação. Isso só nunca ocorreu porque a Egiptologia é um ramo específico da História e o Brasil não investiu na área. Não conheço nenhum egiptólogo. Não é um profissional que se ache numa esquina qualquer. Mas, enfim, numa história mais recente, o que ocorreu de 1988 para cá eu acompanhei "em tempo real", digamos assim. No meu tempo, não estudávamos acontecimentos contemporâneos na disciplina de História e sim de Geografia Política. O que faz muito mais sentido, mas sentido, é uma coisa que perdeu o sentido pós era PT. Enfim, eu compreendi muito bem seu comentário e é como se tivesse saído de minha própria mente. Obrigada por comentar. continuar lendo

Sem esquecer que o socialismo/comunismo ama os pobres. Tanto é assim que em todos os países em que dominam com sua ditadura do partido único, aumentam exponencialmente o numero de pobretões. continuar lendo

É a própria definição da igualdade de resultados. E é um princípio levado tão a sério que recentemente, o ministro Celso Antônio Bandeira de Melo foi discursar numa formatura de Direito e falou especificamente e abertamente sobre a "vantagem do governo de Lula ter sido o que mais nivelou a população", usando inclusive gesto de "nivelação", como se isso fosse uma vantagem. Foi fortemente vaiado, é claro. O vídeo e meus comentários pessoais sobre o "incidente" está no mural do meu perfil de Facebook, e caso você ou algum outro leitor aqui queira conferir, é só me enviar pedido de amizade que eu aceito. https://www.facebook.com/christinademorais continuar lendo

Um artigo excepcional. Precisamos sim defender os valores esquecidos através da Doutrinação Gramsciana.

Como sugestão para quem não conhece, leiam A Revolução dos Bichos, de George Orwell, que nos anos 40 já nos alertava desta terrível realidade.

Outro vídeo que vale a pena, do Brasil Paralelo.

Sobre Saul Ninsky.

https://www.youtube.com/watch?v=IhCbZvFN6Z4 continuar lendo

Obrigada pelo elogio e pela dica. Vou procurar tudo isso, inclusive as dicas suas contidas no comentário do Perciliano. continuar lendo

Socialismo é uma doutrina falida. continuar lendo

Por favor, leia o documento cujo link está no finalzinho do artigo. Socialismo é um sistema falido, mas como doutrina, tem uma força absurda que não podemos cometer o erro de ignorar. O preço será alto. George Soros quer ser presidente vitalício do mundo e não tardará, se nos acomodarmos pensando que "não passarão". Negativo. Quem não concorda precisa sim marcar presença e lutar. continuar lendo

Falida, mas não MORTA, dr Danilo Assad. Sei que um dia deixarei de "existir" mas esse pessoal continuará a existir; apenas sofrem algumas derrotas, mas nunca desistem, porque neste exato momento, em algum lugar do mundo, algumas pessoas devem estar reunidas, "maquinando" sobre essa maldita doutrina, tenho certeza. Vide INTENTONA COMUNISTA, 1.935. Um sindicalista do ABC, dias atuais. Tão falidos? continuar lendo